Toda a gente sabe que o grande problema nacional não é a crise ou a crónica baixa produção nacional, nem tão pouco a fuga ao fisco mas sim o leitinho achocolatado…

Prontos… Prontos… Eu admito:
às vezes deito-me mais tarde porque fico a ver a Leonor Poeiras na televisão…
De baixo para cima, da esquerda para a direita, virado para fora ou ao contrário… Todos nós temos algures uma pequena porção de “naïfidade”…
Como era bom se nos dicionários aparecesse a palavra “naïfidade” e eu a pudesse deixar de a trazer no bolso das calças…
Andrew Bird - Fake Palindromes
Tento ser simpático, juro que tento mas nada me sai com uma suprema alegria nem tão pouco da forma mais apurada e natural. Eu que era um puto tão jovial e folgazão e sempre cheio daqueles contentamentos imprudentes. Sinto-me um cubinho de gelo e não gosto disso.
Talvez seja da idade, talvez seja só uma fase esquisita ou então uma daquelas cenas malaikas… Talvez seja deste agravado fim de namoro. Talvez seja por causa das alterações climáticas ou então devido à instabilidade da bolsa de valores a torrar-me o dinheirinho que tenho lá investido…
Não sei…
Esta noite não tenho nada de especialmente importante para escrever por aqui mas hoje descobri uns tipos chamados Ratatat e decidi partilhar…
Escutai se quiserdes ser imensamente cool como o presidente...
Paradoxalmente, perdoamos/esquecemos mais facilmente as cenas menos boas dos antigos amores do que as das amizades perdidas… Isto deve ter um fundamento orgânico (esta abstinência tá a dar cabo de mim)…
São sempre estranhos os dias em que ando com a cabeça vazia. Não são dias de ledas tristezas nem tão pouco de aburguesadas alegrias, são apenas dias que passam. Os testes, as ressacas dos testes, as síndromes de não sei quê, as questões éticas e as profilaxias. Dou por mim muitas vezes embrulhado em livros e mais livros e não desgosto desta coisa de não ter tempo nem tão pouco vontade de pensar noutras coisas. Gosto dessa sensação de abandono, de não ter que sair de casa em programas sociais, de não ter de inventar desculpas para não sair, de não ter de dizer que gosto de alguém para ter cama.
Gosto disso de ficar em casa e ninguém me chatear…
Regina Spektor - Carbon Monoxide
A maior liberdade é sermos nós próprios o tempo todo… Infelizmente devido a acasos infelizes da minha vida pessoal não posso escrever de forma directa, sincera ou fantasiosa como sempre o fiz…
No entanto, mais do que a vocês, devo-me a mim isso de escrever o que quiser, como e quando quiser… E hei-de dar a volta à trampa que este blog se tornou…
O presidente comunicou… Tá comunicado...
Às vezes gostava que as pessoas que não gosto morressem e pronto… Resultou com o meu professor de trabalhos manuais do sexto ano, resultou com a minha professora de matemática do décimo segundo e resultou também com aquele gajo que teve um acidente de carro…
Pode ser que resulte contigo…
Gloria Estefan - Santo, Santo…
Será que eu sou o único tipo que ainda não dormiu com a Marta Leite Castro…
Ivete Sangalo e Dominguinhos - Gostoso Demais
Depois da tempestade a bonança ou então ao contrário… Medo desta minha hipersensibilidade (leia-se tesão constante…)
Os bancos podem alterar unilateralmente o valor do spread dos empréstimos para habitação consoante as flutuações do mercado…
Isto ainda consegue pior do que as três derrotas do glorioso.
PS: Luís Filipe Vieira apesar de ter 32 estou numa forma física demoníaca… Sou o gattuso que o glorioso precisa. Tenho visão de jogo, grande sentido de posicionamento, forte remate de meia distância, faço muitas assistências e sou uma máquina a dar pau no meio-campo… Manda-me um mail pá…
Luís Represas - Quando me Perco
Às vezes, por razões que me são estranhas, não posso escrever por aqui tudo o que penso. Já foi o tempo em que as palavras não resultariam em inconveniências de maior. Poderia ser o maior da minha rua ou então o mais andrajoso dos diabos e ninguém se importaria. Foram dias felizes, esses dias inconsequentes. Era até livre para meter dois dedos de conversa com aquela miúda gira do supermercado do meu bairro, sem ter medo de me apaixonar. Toda a gente sabe que a paixão estraga sempre tudo, ora porque nos entorpece o passo ora porque nos sombreia as vistas.
Estamos longe do início do novo ano e será certamente apressado e tonto espartilhar-me em resoluções futuras mas já decidi. No próximo ano fecharei tudo a seis chaves. Resistirei à paixão e procurarei apenas a açucarada relação de alcova ocasional.
Sai uma deleitosa vida de libertinagem para mesa quatro.
Os juros da dívida pública portuguesa atingiram hoje o dobro dos juros da dívida pública alemã…
Sócrates e Passos Coelhos do que é que estão à espera para aprovarem a merda do orçamento…
Fónixe…
Às vezes gostava que não houvessem idiossincrasias para ninguém…À medida que o tempo passa vou tendo menos paciência para tentar compreender comportamentos que me são estranhos.
Juro que tento empatizar. Faço milhentos esforços cognitivos e nada. Sou cada vez menos tolerante e tenho pena disso.
Adriana Calcanhotto - Resistiré
Quando vejo as pessoas trocarem regularmente de telemóvel, computador, carro só porque saiu um modelo mais xpto, fico com o estômago às voltas. Haverá exemplo mais evidente do mundo de aparências, materialista, fútil, vazio e anti-ecológico em que vivemos…
Ahhhhh como eu detesto telemóveis… Ando mesmo tentado a deixar de usar telemóvel… Às vezes quando saio de casa esqueço-me dele de propósito e vivencio a mais fabulosa das liberdades…
Continuo doente e essas coisas. Não tomei nada para a garganta, tomar coisas para a garganta é uma atitude inusitada para qualquer macho alfa que se preze. Assim sendo, continuo a ser um macho alfa, um macho alfa com dores de garganta…
Depois duma luta sobre-humana, consegui finalmente voltar a ser um rapaz solteiro e libertino novamente :)
Uma das coisas que mais detesto, quando as coisas acabam, é que me telefonem e me mandem mensagens ridículas mas algumas “esposas” parecem nunca admitir que não dá. Toda a gente sabe que as mulheres lidam pessimamente com qualquer rejeição amorosa (infelizmente não consigo arranjar uma palavra mais bonita para esta coisa…) e são capazes de torrar a paciência dum gajo meses a fio.
Porque é que as gajas não desistem e prontos. Sempre que me disseram que não dava, que não gostavam de mim, pequei nos meus “trapinhos” e fui à minha vida sem pestanejar, “no hard feelings”. Nessas coisas das relações sou muito seco, quando as coisas não dão, não dão e prontos. Nunca mais telefono, não escrevo mails patéticos e não sou indelicado… Às vezes até fico assustado comigo próprio, não sei como consigo ser tão frio e distante. Devo possuir uma pesada carapaça invisível de defesa que me protege de males maiores. Mas quem não gosta de mim (amores, amizades, primos e o gato Rafael) acaba irreversivelmente por ser destinado ao esquecimento eterno.
Às vezes gostava de ser menos seco e ser uma dessas putas com coração mas não sou…
Apesar de me ver como pessoa de direita (ou pelo menos liberal), acho indecente a França andar a repatriar os ciganos como se de um todo malévolo, causador de todos os males e homogéneo se tratasse. Não posso admitir qualquer tipo de discriminação humana baseado nessa treta artificial que são as fronteiras e os tratados burocráticos.
Com que autoridade moral podemos impedir outros seres humanos de procurarem uma vida melhor.
Se calhar até sou um gajo de esquerda :)
Caí durante a luta contra o bicho da constipação. Passei os últimos dois dias assoberbado em muco, com lancinantes dores de garganta, com uma dor de cabeça constante e até tive problemas em dormir. Mas que bela forma de começar um novo ano…
Humpf…. Logo agora que me sentia numa forma física demoníaca…
Alguém que dê um tirinho à Filomena Cautela se faz favor…
Sou mesmo muito alérgico ao perfil de menina lisboeta irritante que andou nos escuteiros quando era pequena…
Söhne Mannheims - Zurück zu dir
Ora a expensas de problemas menores ou de quaisquer esporádicas alterações de humor, o vosso muy querido provinciano têm recorrido ao recolhimento e à reflexão sobre as mais insignificantes mundanices em vez de escrever no seu amado blog...
Pois é, o ano lectivo acabou com enorme sucesso e mesmo nas férias sinto vontade de voltar à faina do curso. Quem diria que isto de ser médico me motivaria assim tanto. Mas sendo eu um homem de grandes paixões acho que as coisas só poderiam mesmo ocorrer desta forma. Passei até dias no ebay vasculhando por ferramentas clínicas e tudo. Ora bem, posso muito bem não ter sido grande em nada (tirando dar grandes quecas e fazer minetes estupendos) mas acredito muito que serei um bom Doutor.
Mas adiante caros elementos da metrópole e províncias além-mar. A vidinha sentimental vai bem e recomenda-se, devagar e sem grandes chatices que é como o vosso presidente gosta. Às vezes gostava que tudo ficasse como está, nesse fogo lento de fácil manuseamento e que depois logo se decidisse. Sim meu bom menino Jesus, seria essa a minha prenda de natal. Escuta-me bom moço.
Embora não fosse uma prioridade para o país, especialmente em tempos de crise e o catano (embora o fosse em termos da igualdade de direitos), congratulo-me com o facto que pessoas do mesmo sexo possam finalmente casar no nosso rectângulo…
Sinto que daqui a muitos anos os meus filhos olharam para os tempos anteriores a esta lei com a mesma estranheza que eu olho para os tempos da segregação racial.
Não consigo perceber os que são contra os direitos de igualdade entre os seres humanos…
Não consigo mesmo…
Zé Ramalho - Garoto de Aluguel
Tou confuso…
Às vezes sofro desse mal do gosto pela lonjura dos outros. Fico ansioso se não arranjo tempo para os meus ociosos e mais secretos afazeres. Não que precise de tempo para incinerar judeus diabéticos ou coisa parecida mas faço-me falta.
Também sinto falta da liberdade de escrever. De qualquer forma só teria patetices para escrever. O estudo de patologias como nomes esquisitos, diagnósticos diferenciais e a mais tenebrosa das anatomias afadiga-me de tal forma que não tenho tempo nem forças para escrever. Tenho pena disso, agora que consegui finalmente deixar de beber e me sinto estupendamente bem, especialmente em termos cognitivos (apesar de ainda espalhar magia nos futebóis aqui do bairro) não me possa dedicar às delícias da escrita.
Sting - Englishman In New York
Mesmo sendo esse tipo certinho, um estudante de medicina e coiso, às vezes dou por mim a ter saudade dos copos…
Desde que deixei a vida dos copos sinto-me poderoso, sharp, esperto e todas essas coisas mas ao mesmo tempo tenho saudades de naufragar… Pelo menos durante um daqueles bocados em que ninguém parece reparar…
Por mais que o mundo pule e avance e as coisas mudem de figura e de figurino, às vezes dou por mim contente da vida por não ter a necessidade ou a fraqueza de pernas de enganar a minha namorada…
Ser um gajo certinho também tem coisas boas…
Europa do que é que tás à para teres a puta duma agência de rating... Ou tás à espera que eu ainda perca mais dinheiro na bolsa…
Fónixe...
Será que ser assoberbado dá tautaus, a mais nefasta das multas, cadeia ou até mesmo um assento no Inferno?
Sempre me tive em boa conta, quer mentalmente, quer a jogar ao berlinde e na cama também… Prontos, para a minha pessoa sempre fui o melhor do meu bairro… E muitas vezes acho estranhobarraestúpido que as pessoas não pensembarraajam como eu. Dizem-me sempre que eu tenho a mais soberbas das manias e que sou um tipo cheio de funestagem no corpo mas de qualquer forma porque é que as pessoas não são mais como eu…
Foda-se, olhem para mim e copiem se faz favor, para o que o mundo possa ser um lugar melhor…
Mesmo sendo um tipo indecente, amoral e essas coisas às vezes tenho pena das coisas que mudam e acabam irreversivelmente por se perder. Mas ao mesmo tempo livro-me das memórias com um desembaraço aguçado e empedernido. Esqueço-me de quem gostei, das belas fodas que dei, dos copos e ponho o meu coração nas tuas mãos.
Da maneira mais truculenta abeiro-me a ti esperando dar-te o que de melhor tenho escondido no fundo dos bolsos. Gosto de ti com os dentes cerrados. Gosto de ti à dentada. Gosto de ti à esquerda. Gosto de ti atado à cama. Gosto de ti porque falas alemão. Gosto de ti porque és argentina. Gosto de ti porque não desistes de mim. Gosto de ti porque sim. Gosto de ti porque não. Gosto de ti no chão.
Gosto de ti porra…
O presidente faz anos, apesar do presidente ser dado a parcas e frugais comemorações apraz registar neste jornal empoeirado que o presidente comemora o seu trigésimo segundo aniversário…
Wham - Careless Whisper (até um supermegamacho como eu é influenciado pelo Natal :)
Comer iogurtes naturais é de macho…
Há eternidades que não te escrevo. Um gajo quando anda ditoso nunca tem muito vagar para escritas ou o que quer que seja. O tempo de felicidade tem um passo muito apressado. Durmo na tua cama quase todos os dias e estudo quando tenho tempo ou quando não estou com a cabeça a mil.
Armando Gama - Esta balada que te dou
Normalmente a estética ocidental do que quer que seja implica uma conclusão e simetria absolutas. Queremos sempre que a nossa casa esteja toda acabada, que a nossa tese de doutoramento seja uma obra-prima, que na cama haja sexo anal, enfim um chorrilhão de coisas que aparentemente assumem uma importância de vida ou de morte ou que anda lá perto. Como é obvio, essa mania das conclusões e perfeições pode por vezes gerar a maior das frustrações mas uns japonocas de outros tempos resolveram esse problema por nós. Devido a influências budistas, nasceu no Japão há muitos séculos a estética da imperfeição (Wabi-sabi), a beleza de tudo o que é incompleto, imperfeito e passageiro. Só tudo é que é extemporâneo pode ser verdadeiramente belo…
Como eu gostava de ti antes de dormir contigo…
Pudesse eu voltar a sentir esse teu meu Amor antigo de volta…
Coração espartilhado… Ouvi esta música mais de mil vezes e pensei em ti sem a acanhada prostração da derrota…
A orfandade de sentimentos é daquelas coisas que não mata mas mói. Ora elas são as agridoces arrelias da solidão onanista ou então os dias de chuva passados na cama sem o mínimo vislumbre dum qualquer pensamento mais apaixonado. Uma seca portanto. Nada de muito tortuoso ou digno da mais fatídica literatura russa. Estar assintomático nessa coisa da paixão será sempre uma má notícia. Nada como nos voltarmos a apaixonar outra vez e no fundo do nosso ser nos preparamos novamente para a maior das quedas.
Haverá ela coisa que nos active mais o neurónio do que a mais lancinante das dores associadas à perda de uma grande paixão…
Nada como nos apaixonarmos à bruta e esperarmos em pulgas pela desilusão da nossa vida :)

Comprem, descarreguem, surripiem da FNAC, peçam ao vizinho, whatever, mas ouçam muitas vezes… Não há quaisquer contra-indicações conhecidas…
Confesso, prontos, prontos confesso… Costumo ver o programa da BBC sobre escultura que dá antes do câmara clara…
Foda-se sou um gajo esquisito…
The Smiths - Please let me get what I want
Nada de novo no país das maravilhas. O Ricardo continua encalhado entre os novos e lindos livros de fisiologia humana que chegaram esta semana e uma terrível e dolorosa intermitência amorosa. Custa-me muito gostar de alguém só em dias certos. Por mim gostava todos os dias, telefonava todos os dias quando me fosse deitar. Por mim seria assim… Mas depois há esse meu lado tenebroso e pretensiosamente cool que me impede de ser o mais disparatado dos românticos. Sempre achei que uma pessoa cool seria assim. Que segundo o protocolo cool se deveria telefonar quando calhasse ou que pelo menos se parecesse à feliz obra do acaso.
Ser cool é afinal a maior das cruzes…