Uma das coisas que mais me apoquenta na televisão, rádio ou até nas conversas de café é a desconsideração, que a maioria das pessoas tem, pela concordância verbal…
Custará assim tanto conjugar o verbo de acordo com o sujeito…
Uma das coisas que mais me apoquenta na televisão, rádio ou até nas conversas de café é a desconsideração, que a maioria das pessoas tem, pela concordância verbal…
Custará assim tanto conjugar o verbo de acordo com o sujeito…
Felizmente ainda não foi desta que fui cortar relva lá para cima.
Depeche Mode - Enjoy The Silence
Toda a gente sabe que a inteligência numa miúda tira pontos… Não há nada mais assustador do que uma miúda mais iluminada do que nós…
Tá visto… Preciso de uma franja na minha vida... E até pode ser morena (cof...cof...)
Fleet Foxes - White Winter Hymnal (grande som...)
Afadigado, cobardolas e por ai, recuso-me a escrever ou até mesmo pensar. São férias minha gente. E nas férias as ordens são para não fazer nada e pôr a leitura em dia. Sabe tão bem ler uns livritos na praia. Até porque não se pode estar sempre a olhar para aqueles corpos efervescentes e aqueles biquínis reduzidos, há que descansar a vista em letrinhas pequenas. O receituário para este Verão (para além dos quinhentos e seis livros que tenho traçados) são estes dois:
Rui Cardoso Martins - Deixem passar o Homem invisível
Leonor Xavier - Casas contadas
Começo a leitura esperançosa já amanhã :)
Radiohead - Street Spirit (Fade Out)
Sou daquelas pessoas que associa determinadas músicas a pessoas e momentos. Eu sei, eu sei, sou um idiota musical. Depois é ver-me escutando vezes sem conta aquela musiquita e reviver infinitamente os ternos momentos de encantamento. Chego mesmo a derramar a lagrimazita da praxe, aquela tosta mista de enorme felicidade e ao mesmo tempo de pesarosa tristeza. Muitas vezes sou mesmo obrigado a deixar de ouvir determinada banda (não me recomendo por exemplo a Dave Matthews Band ou algumas do amigo Palma).
Hoje descobri a L'appuntamento da Ornella Vanoni…
Apaixonar-me até doer impõe-se… Esta música é o mundo… Até me apetece sair agorinha mesmo e apaixonar-me, em boxers e tudo e tudo…
Nick Cave & The Bad Seeds - Tupelo
A felicidade é depois de mais de mil kilometros de carro num só dia, acabar a noite em alegres comezainas no mítico McDonald's de Beja...
Sou um tipo básico mas não faz mal…
Ando tão afadigado e ao mesmo tempo tão alegre que nem consigo escrever. E para ajudar abarbatei-me novamente com os melífluos sabores da carniça. Ah, como uma bela entremeada mexe connosco…
Tava eu tão bem comportado e tão pacato. Vivendo uma existência doce e despreocupada e fui estragar tudo… Bolas mágicas...
Morrissey - Please Let me Get What I Want
Desculpa querido diário andar à faltar aos nossos ditosos compromissos mas tenho andado ocupado pá… Mas nada de grandes preocupações comigo. Finalmente consegui arranjar ocupação para os próximos anos e muito provavelmente para a vida toda. Entrei em medicina, yeahhh…
Um novo desafio. Novas horizontes. Gente diferente. Novos amigos. Aulas. O contacto com os pacientes. Uma nova universidade. Resumindo, uma vida nova acabadinha de sair de um pacote de cereais :)
E depois a Xana também está em Faro. As minhas duas melhores amigas de sempre vão morar na minha rua :)
Tenho uma paciência infinita. Às vezes pergunto-me como é que um gajo tão impulsivo pode ser tão paciente. Aprendi esta coisa de saber esperar em infinitas horas passadas em aeroportos. Foram várias as vezes em que passei mais de doze horas à espera de nova ligação. Doze horas podem parecer pouco, mas doze horas sem nada para fazer tendem sempre para o infinito. Olha ali nós agarradinhos às malas com medo das pessoas más. Olha ali nós pela vigésima segunda vez a admirar aquela loja Duty Free das gravatas. Olha nós na horizontal naquelas três cadeiras coladas que nos provocam a mais lancinante dor de costas…
Olha nós esperando que seja segunda-feira que vêm…
Dói-me tudo…
Foda-se morreu o rei…
Para quebrar o nervoso miúdo da espera, resolvi explorar a bela costa vicentina. Lentes e máquina fotográfica xptozzz, nada de reservas, nem tão pouco planos épicos apenas a carrinha, três mudas de roupa e um mapa.
Praias desertas fantásticas, maciços, arribas altivas coladas ao mar, montes e vales sem vivalma, caminhos de terra batida que não vão dar a lugar algum, ovelhas, vento…
Das terriolas por onde passei houve uma que mexeu comigo… Uma espécie de Santorini portuguesa, com casas empoleiradas ao longo de uma encosta e homens da faina… Burgau… Um dos últimos paraísos algarvios…
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É muito comum ouvir portugueses dizerem:
Eu não sou racista mas...
Desculpa lá mas és… A ideia que não há racismo em Portugal é errada… Existe racismo em Portugal ainda que na maioria das vezes o mesmo seja dissimulado ou assumido cobardolamente…
Pedro Malagueta - Era Uma Vez o Espaço
Sempre me fez caso, dar-se o nome de composição à carruagem, como se o comboio só fizesse sentido com qualquer coisa agarrada, qualquer coisa que levasse pessoas com sítios para ir… Mesmo que essa coisa atrelada não o deixasse ir mais depressa e por onde ele bem entendesse.
Queimando-lhe a mais fogueada das liberdades.
Cada vez mais me convenço que não faz sentido esperar por alguém. O verdadeiro amor não espera, agarra-te logo pela mão, puxa-te para o lado, beija até doer, corre contigo, chispa, acende, incendeia, troveja. O verdadeiro amor não faz jogos, não espera pelo telefone. O verdadeiro amor é aquele tipo decidido que decide por nós.
O amor é uma coisa bem grande
Os Golpes - A Marcha dos Golpes
Mesmo quando se carrilham um monte de ocupações para fazer o tempo passar mais depressa, há sempre um intervalo onde acabamos invariavelmente por pensar em coisas parvas.
Foi o caso…
A ideia que o bloco passe a ser a terceira força política portuguesa causa-me comichões no rabo. Primeiro porque periga a existência do partido comunista. E qualquer país democrático que se preze precisa de um PC como deve ser. Segundo porque a chamada esquerda radical soma agora quase um quarto dos votos e nunca gostei muito de reformas agrárias e nacionalizações às três pancadas (o mesmo se aplicando a radicalidades de direita).
Sinceramente, gostava que o Bloco mudasse um pouco a cassete e se aproximasse mais a uma esquerda mais moderna e menos maoísta e pudesse finalmente congregar pessoas de esquerda mais moderada que já não se revêem no partido socialista.
Bom, bom, era acabar com o partido socialista e por lá um bloco de esquerda mais "modernaço" mas não me parece que o camarada e déspota Louça vá nesse samba-enredo…
A tão desejada vitória do amigo Federer no Roland Garros acabou por acontecer. É com enorme alegria que vejo finalmente o Roger ganhar os quatro torneios que compõem o Grand Slam. Um feito à medida da grandiosidade do maior jogador de ténis de todos os tempos. No entanto, fico com pena que não tivesse sido contra o Nadal. Uma vitória contra o Nadal em Roland Garros teria necessariamente outro sabor. Até porque Nadal, muito provavelmente, será considerado o melhor jogador de terra batida de sempre.
Engraçado… As vitórias deste Domingo do PSD, do CDS e do Bloco sabem-me ao mesmo… Vitórias mas vitórias a saberem a pouco… Ainda me interrogo sobre a razão que leva cerca de 800 mil almas a votar num PS com José Sócrates, Pinho, Lino, Santos Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, Vieira da Silva e a impagável/intragável Ana Gomes.
Segundo rumores recentes das revistas cor-de-rosa, parece que Quique Flores não veio para Portugal só para foder o Benfica…
Não percebo. Não percebo a presença de bandeirinhas e de cantigas ridículas nos comícios. Não percebo os beijinhos nas feiras e as visitações aos hospitais.
Ao que parece não somos assim tão modernos e desenvoltos.
E para quando uma campanha em que se fale dos problemas reais do país e da Europa e se sugiram soluções em vez de se trocarem acusações vergonhosas entre os vários partidos.
Estamos à espera Ambrósios…
Achei a ideia realmente absurda, ou pelo menos disparatada, mas a Xana disse-me que era moda, que era uma coisa moderna e coiso. Dizer adeus aos pêlos do peito. Companheiros de tantas contendas vitoriosas, de tantos puxões à beirinha do êxtase.
Mas num acto tresloucado e depois de pensar no sucesso que este belo corpinho faria em alegres passeatas pela praia, cedi. Primeiro simulei um descuido. Um engano a fazer a barba acontece a qualquer homem distraído. Tinha no entanto, chegado a um ponto de não retorno. Estava fodido.
Barulho da máquina na peitaça. Sacudidela aqui, sacudidela ali. Barulho da máquina mais abaixo. Um peito lustroso como não via há quase vinte anos. A princípio achei piada a estes novos pulmões. Peitos proporcionados em grandiosas revelações. Peitos de homem como deve ser e não daqueles peitos em bico que parecem maminhas adolescentes. Porém, passadas umas horas já soluçava com saudades.
Foda-se, gosto mais de mim com pêlo no peito…
Antony And The Johnsons - The Lake
Quando se pensava que a Playboy portuguesa não podia descer mais baixo:
produções pouco criativas (uso e abuso de lugares comuns, fotografia péssima)
textos do desastroso Nuno Markl
falta de coninha (afinal é a Playboy ou a Maxmen…)

Segundo as estatísticas, quando potencias suicidas são ameaçados de morte por um qualquer polícia que os tente impedir de saltar, a grande maioria acaba por desistir e entrega-se. Ao que parece o suicídio não tem nada a ver com essa coisa de morrer. Porque se assim fosse, os tipos nunca se entregariam. Só vale pena partir se podermos controlar todo o processo num último e glorioso bafejo da mais absoluta das liberdades. A liberdade de sermos donos do nosso destino.
Sempre achei a solução do suicídio uma resolução patética ou pelo menos pouco lógica mas se ela no fundo representar um acto de liberdade menos mal.
Ainda a propósito dessa tal busca da minha metade.
Sendo eu o mais terrífico dos egocêntricos, valerá a pena encetar tão dura jornada?
No fundo, qualquer egocêntrico como deve ser nunca gostará de alguém o quanto gosta dele mesmo…
PS: se calhar, devia mesmo parar de dar beijinhos no espelho…
Esta miúda, uma estudante de arte das Américas, decidiu que o seu projecto de fim de curso seria arranjar um potencial marido em apenas três meses. Por estas alturas já anda na fase de revisão dos moços.
Apesar da palavra casamento me causar a mais debilitante das urticárias acho a ideia da procura do amor da nossa vida muito interessante. Se trabalhamos tanto para termos dinheiro para comprarmos isto ou aquilo e passarmos férias não sei onde ou mesmo até para sermos bons em qualquer coisa, porque não fazermos da procura da nossa metade uma coisa mais séria, mais metódica.
Eu sou dos que não mexe uma palha para encontrar a minha gaja. Tenho que mudar isto, tenho que procurar mais activamente…
Ricardo, estás oficialmente em missão de reconhecimento… Procurar, procurar…
Tava a ver que Dias Loureiro nunca mais desamparava a loja…
Também esperamos novas tuas Constâncio… Mas não tenhas pressa… Sabemos bem que é indecente ficares com menos aéreos de reforma…
Abastança de calor por estes lados. Com tanta quentura é com alguma dificuldade que vou contendo as minhas urgências de cama. O calor põe os homens parvos. Muita casca à mostra é o que dá. As dores de cabeça surgem-me no café do bairro, nos bares da capital de distrito e até na padaria da avenida. Sim porque comprar carcaças e pastéis de nata tem o seu quê de imensamente lúbrico. E não se pense que é por detrás do balcão estar uma sorridente e enérgica mocinha. Não, não, um festim de hidratos de carbono põe a cabeça de qualquer macho a andar à andar a mil. Tenho mesmo que cortar nos pastéis de nata da Venezuela.
Com tanto calor até chego a pensar numa fugaz aproximação à minha ex-namorada. O desespero leva-nos até aos recantos mais patéticos da nossa grande cabeça. Também já pensei em passar uns enormes cubos de gelo para ver se estes padecimentos passam mas não tenho arranjado afoiteza que chegue. Tenho medo de cair de redondo. Muito calor, muito frio. Nunca poderá ser uma coisa que se faça sem a mais dolorosa das sequelas...
A morte é daqueles sentimentos que trato com mais descuido. Não é coisa que pense, sei que me espera e pronto. Mas de quando em vez, alguém da nossa faina parte mais cedo e somos inexoravelmente confrontados por ela. Um qualquer acaso pode chegar. Uma linha torta, um carro em contramão, um tiro errado, uma luta de bar, um tombo, um enfarte, sei lá, …
Podia ter telefonado, podia ter escrito, podia pagar-te um copo. Mas agora já não posso nada…
Depois dos mais tenebrosos sentimentos de culpa e dos longos minutos de prostração e saudade voltamos a nós e temos muito medo de partir também…
Nunca tive tanto medo de partir...
Abraço pá…
A opinião dos outros, a amarga e doce opinião dos outros. Ela decide por nós. Só ela sabe o que é melhor para nós. Quantas e quantas vezes a aceitamos em abraços acalorados, sem os mínimos escrutínios desta ou daquela pessoa ou coisa. Como uns cordeirinhos de trela invisível vemos de repente demónios e chispas só porque nos disseram que coiso e tal.
Gosto de safar-me disso… Gosto de ter a minha opinião e sinto-me feliz assim…
Queens of the Stone Age - Go With the Flow
Os salões das funções de beneficência compõem-se na sua maioria por indivíduos respeitados mas pouco respeitadores e tipas encalhadas em vestidinhos prósperos. Tipos que fogem ao fisco, tipos que encrencam a engrenagem do estado, tipos que só pagam salários mínimos, tipos que depositam cenas nas Maurícias, tipos cheios de merda.
Que macaca irónica esta das festividades de beneficência…
Com a chegada do calor tudo se entorpece. A memória enfraquece e esquecemo-nos do que fizemos na semana passada. Por mais que se tente ataviar a coisa e até inventar memórias, nestes dias de calor é muito mais fácil esquecermo-nos das coisas. Mas também com um céu avivado com o mais perfeito dos azuis e um calor quase canicular, tudo o que passou deixa de ter importância.
Sou um tipo esquecido. Por parte do pai e de memória fraca por parte da mãe. Esqueço-me. Já houve dias em que ficava muito infeliz com esta perda de lembranças, especialmente das boas. As memórias ajudam-nos a lembrarmo-nos quem somos ou pelo menos do que fomos. Uma verdadeira cartilha para almas atormentadas. Era uma maçada não me lembrar quem era. Confesso que muitas vezes entontecia com isso. À falta de melhor solução e porque toda a gente diz que um elefante sem memória não é um elefante. Sentava-me na cabeceira da cama que dá para a janela. Cruzava os braços com força e tentava puxar pela cabeça. O primeiro beijo. O primeiro relógio. Tu. Aquele dia sentado na marginal. O meu primeiro vinte. As batatas fritas às seis da manhã. As voltas de carro com o meu pai. Aquele golo de cabeça. Os açores.
Sorria. Voltar a viver essas coisas deixava-me no mais elevado estado de felicidade humana. O esforço quase inumano de me lembrar da minha vida passada era de facto um empreendimento ditoso. Mas ao mesmo tempo enervava-me o facto de não em conseguir lembrar de tudo. Talvez não tivesse sido assim tão importante ou talvez me tenha esquecido. Talvez. No entanto, muitas vezes dava por mim a lembrar-me das coisas mais minúsculas, aparentemente insignificantes. Tava tudo ao contrário pá… Não havia qualquer regra nesta coisa das memórias. A partir do momento que me apercebi do caos que existia no processo fiquei mais aliviado. Não existindo nele a elegância de uma qualquer lei newtoniana podia finalmente deixar de me arreliar com as lembranças.
Já não sou o que fui mas sim o que sou (queria escrever isto de outra forma mas mal consigo manter as pálpebras abertas). Tempo de recolher aos aposentos presidenciais minha gente.
Muitoooooo sono…
Ex-votos - Subtilezas Porno-Populares
Os mitos têm a força que lhes queiramos dar. Dependendo de uns são de uma força indestrutível dependendo de outros são trémulos como gelatina. Nada como diferentes respectivas para uma feliz relativização das coisas.
Eu por exemplo, sou daqueles que defende uma rápida extradição do Nuno Markl para o Burkina Faso ou outro qualquer país parco em estruturas de telecomunicações…
Calem o Nuno Markl para sempre…
Explicar. Dizer o porquê dos porquezes ou lá como se chama a razão das coisas. Muitas vezes esticamos o braço, noutras tantas rodamos o pé. Sem o mais santo dos raciocínios ou por pura perdição. Assim tenho vivido. Bebendo copos e copos de decisões nada pensadas e de uma putice desvairada. Muitas vezes não sei se me espalhe em choradinhos inconsequentes ou se me amorfe em horas infinitas de contemplação e de reflexão zen. Rio. Um cavalo como meu em mansas reflexões. Como me perderia em alegres galhofadas de riso se fizesse tal coisa.
O Rui da loja disse-me que há relógios que não vale a pena arranjar. Uns porque são muito baratinhos outros porque tem peças a mais. Ainda não descobri que tipo de relógio trago no pulso. Se um ou se um dos outros. Uma coisa sem concerto dá-nos sempre um nó na barriga. Teve a sua função. Fez tic, fez tac. Não nos deixou dormir. Acordo-nos naquele dia importante. Coisas de relógio, minha gente.
Desaperto-o. Pouso-o em cima da mesa-de-cabeceira, ao pé dos Dostoieskys e dos Steinbeckes, do cotão e do despertador. Gosto dele mesmo assim. Duas vezes certo ao dia. Talvez precise apenas de uma pilha dos chineses, talvez seja fácil de arranjar, talvez o possa usar mesmo avariado. Gosto tanto dele que nem sei que hei-de fazer. Tiro-o só para dormir.