Se tivesse que escolher entre empurrar
o Bruno Carvalho ou a Filomena Cautela de um precipício tava fodido…
21/01/2016
Longe demais...
O Janeiro já tem pernas e barba
rija e ainda não escrevi nada por aqui. Egoistamente ocupado… Às vezes dou por
mim demasiado centrado em mim e nos meus afazeres…
Vivo como se tivesse nascido outra
vez, sem quaisquer amarras ao passado…
Apesar de às vezes ter saudades de
algumas pessoas das minhas outras vidas não chego a ter a telúrica intenção de
dizer olá… O passado está distante demais…
05/11/2015
Só sobrou este meu exército de um...
Por Tétis mil dos meus exércitos entrincheirados levantaram-se e desapareceram…
De mil exércitos só sobrou este meu
exército de um. Um cabo pateta e bravio, um comandante temeroso e um general desaparecido.
Como era tantos e hoje sou tão poucos.
Mil exércitos encarniçados, de
mim por ti…
10/10/2015
Tanto Mar...
Num país com tanto mar não
podemos ter medo das tormentas em terra. Ora tumultos encarniçados, putas e
vinho azedo ora a luzidia loucura de sermos verdadeiramente felizes…
05/09/2015
Intransponíveis muros de gelo...
Há pessoas que pela sua ausência nos fazem morrer com mais
força, mais depressa ou o cataninho…
Pudesse eu dizer que tenho saudades tuas…
16/08/2015
Férias...
Amamos tudo o que já não é… Amamos o mar… Amamos os manos…
Amamos os contra-tempos… Amamos os almoços intermináveis… Amamos os almoços dos
outros… Amamos o Amor… Amamos os amassos… Amamos o vinho… Amamos amêijoas à Bulhão
Pato… Amamos uns e não gostamos de outros…
Mas o que realmente importa, é que amamos as férias...
03/08/2015
Portugal esse país de poetas…
Hoje encontraram o cadáver dum tipo que se tinha perdido a fazer geocaching…
Entretanto aparece o oficial da GNR a dizer que isto só foi possível graças ao binómio cinegético…
Vinho, putas e putinhas...
Umas vezes Cícero trazia-nos escritos de Platão outras vezes
vinho e putas e às vezes putinhas…
Ah grande Cícero, sabias como entreter o gentio…
30/07/2015
Mirtilos e amantes depostos…
Passados anos ainda continuo a receber hatemails… Eu devo ser
o tipo mais pérfido do meu bairro…
Tu é mau… Tu é muito mau…
15/07/2015
Ghosting...
Ghosting: chama-se ghosting à quebra silenciosa e inusitada
de relações amorosas ou de outros afectos de um dia para o outro, no mais
absolutos dos silêncios…
Chamem-lhe falta de coragem… Chamem-lhe indecorosa
indiferença… Chamem-lhe saída fácil…
Ah se a vida fosse fácil e linear era somenos engraçada…
Fornicating Under Consent of King...
Não me consigo lembrar de actividade mais estúpida do que o
correr… Correr é obviamente coisa de larilas…
Quando alguém tem a infeliz ideia de me convidar para
correr/running, respondo sempre que eu é mais fucking…
28/06/2015
O Amor e os entendimentos...
No Amor não existem entendimentos…
Nem poderiam existir… Até porque toda a gente sabe que o
Amor é aquela guerra parva e infinita, rendilhada aqui e ali com jacintos lilases…
Tanta coisa para dizer sobre o Amor mas não temos tempo…
13/06/2015
Eu procrastino, tu procrastinas...
Segundo estudos neurológicos funcionais e segundo até a própria física Newtoniana é preciso mais energia para se iniciar o movimento do que para mantê-lo…
Afinal a procrastinação é fácil de entender…
Coisas psiquiátricas pá…
É possível através de técnicas de recondicionamento e vários fármacos reescrever as nossas memórias, boas ou menos boas… Como se de uma mágica viagem no tempo se tratasse…
Porque afinal de contas somos as nossas memórias…
12/06/2015
Não gosto...
Não gosto da Catarina Furtado, não gosto do Sócrates, não
gosto do Mário Soares, não gosto de gajos portistas, não gosto da Rita Pereira,
não gosto do Jorge Gabriel, não gosto do Markl, não gosto da Iva Domingues, não
gosto do meu vizinho do segundo esquerdo, não gosto…
Estranhamente, abomino mais pessoas que não conheço do que
as que conheço… Para além do meu vizinho do segundo esquerdo, não me lembro de
nenhuma criatura que merecesse o mais tormentosos dos castigos. Sou um desmemoriado
é o que é…
O Processo...
Por vezes, tal como se de um processo Kafkiano se tratasse, somos condenados à mais pesarosa das sentenças, enclausurados sem saber porquê, não havendo em nós um resto de esperança, nem tão pouco a força para nos declararmos inocentes sem saber de quê…
Aponto este rabisco no capítulo da depressão. Estes dias de laboriosos estudos na caverna, lendo os clássicos e outras coisas cravam-me punhais mas ao mesmo tempo deleitam-me com momentos demasiado assombrosos para caber neste diário… Infelizmente para ser um bom psiquiatra não basta ser um gajo porreiro, há que ler, estudar de uma forma que chega a ser demoníaca. Nunca tinha estudado tanto e de forma tão contínua…
Cavalo que corre por gosto…
06/06/2015
Milhões...
Umas vezes uma inquietude parva, outras vezes uma burburinho
pequeno… Um burburinho pequeno, pequenino.
Duas da manhã, o sono não aparece…
16/05/2015
Eu, tu, nós e os outros indivíduos...
Actualmente, existem mais pessoas no mundo do que todas aquelas que já partiram…
Realmente assim é difícil alguém ser verdadeiramente insubstituível
:)
26/04/2015
04/04/2015
Os lugares da nossa rua…
Há lugares que ficam no outro
lado da rua. Lugares pelos quais passamos, sem saber e sem sentir, umas vezes a
sorrir outras no mais absorto dos pensamentos. Sítios com gente dentro. Gente com
mil e uma cabeças ou sem cabeça, gente que matou gente, gente que já não é
gente e nós do lado de fora, tão aprumadinhos.
Passei por aquela rua vezes sem
conta, muitas das vezes tendo como missão a espinhosa e complexa tarefa de
comprar o Independente e um pacote de paivantes para o avô. Eram os belos
tempos em que os putos ainda conseguiam comprar cigarros. Eram tempos de ter
avô e de ter menos 30 anos nos costados. Ah, como foste um puto feliz.
Voltando aquela rua e aqueles lugares
que nunca vemos e nunca sentimos. Do outro lado do muro, ei-lo no seu circular
esplendor o pavilhão oito do Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda. O seu cheiro
a leite tresmalhado, as paredes rasgadas com as mãos, salpicos de um vermelho
sangue, latrinas cheias de merda e um bando de loucos…
E eu e nós no outro lado do muro…
21/03/2015
Pequenos e grandes cubos de gelo...
Após a instalação de um quadro clínico de esquizofrenia, para
além dos défices associados à doença, os doentes ficam como que parados no
tempo, conseguem por vezes manter alguns dos seus interesses mas os mesmos não
evoluem. Os doentes revêem vezes sem conta os seus velhos discos, os livros
coçados e usam sempre as mesmas roupas… Como que fragmentados num cubo de gelo
onde o tempo foi confiscado.
Quando vivi em Zurique nos idos anos 2000, via muita gente
como roupas e jeitos dos anos 90 e aquilo era difícil de perceber. Ainda hoje,
algumas pessoas ligeiramente mais velhas do que eu, vestem-se de uma forma anacrónica,
quase como que parados no tempo e sem qualquer vislumbre de crítica para isso…
Meus amigos evitem rotinas. Evitem sempre as mesmas
conversas, os mesmos amigos. Sejam ousados, impetuosos e comprem roupa nova :)
Guilty Pleasures
Prontos, admito. Tenho visto alguns episódios da nova novela
da TVI... Não posso estar bem :)
Não ter posto tv cabo na casa nova pode ter sido um daqueles
erros insanáveis…
15/02/2015
O frio e eu...
O frio e as gastroenterites não combinam com o estudo…
Tento ler umas coisas no ipad, embrulhado até aos ossos mas está
demasiado frio e muito cocó…
31/01/2015
Fácil de entender...
Segundo estudos neurológicos funcionais e segundo até a própria
física Newtoniana é preciso mais energia para se iniciar o movimento do que
para mantê-lo…
Afinal a procrastinação é fácil de entender…
17/01/2015
Os nossos pequenos super-heróis...
Curiosamente não tenho medo do facto de poder alterar ou
condicionar irreversivelmente a vida dos meus doentes, nem tão pouco de conhecer
as caves mais tenebrosas da mente…
Sinto-me muitas vezes um super-herói… Ai se soubessem o
quanto isto é bom também queriam :)
16/01/2015
Sad Poems...
Seres Médico, é dares de cara, numa consulta, com uma pessoa
que conheces desde sempre e que de repente ficas a saber que é seropositiva há mais de 10 anos…
Meus amigos… Não facilitem… Não facilitem mesmo…
:(
In between...
Sometimes I
am caught in between saying hello and saying goodbye...
In between
secret times and unspoken words…
31/12/2014
Feliz 2015 maltinha...
Adeus 2014… Um ano repleto de coisas boas e novas. Gostei.
Foi ano que me fez lembrar quando me chamavam Doutor antes de acabar o curso de
Biologia. Uma estranha sensação de poder quando o teu tutor te apresenta como o
Psiquiatra Ricardo. Quem me conhece sabe que sou nada de títulos nem tão pouco
faço alarido da minha formação académica mas há detalhes que nos fazem sentir a
mil…
Dar aulas na Universidade, Psiquiatria, futeboladas, novos
amigos, amor e viagens.
Espero que o ano vindouro seja tão ou melhor que este :)
Desejo-vos um ano de 2015 espectacular.
Beijinhos e abraços apertados
Ps: espero arranjar tempo para escrever mais por aqui… Vou
tentar, prometo…
25/11/2014
Eles comem tudo...
Até dizia uma piada sobre o José Sócrates mas perdeu a graça…
Nunca percebi como é que quase três milhões de almas votaram
no Senhor Engenheiro Sócrates…
Somos um país de débeis mentais…É que só pode…
A estranha área de desconforto...
Estranhamente o maior desafio deste ano não está a ser ver
os doentes na urgência sem rede, nem tão pouco uma prática clínica muitas vezes
autónoma mas sim o curso amador de teatro…
Força, poder, concha, céu, maior e o mais pequeno. Com voz gutural
outras vezes mudo. Vestido ou sem roupa.
Às vezes nem precisamos de levantar os pés do chão para voar…
02/11/2014
Coisas que oiço por aí...
“Toda a gente sabe que o filho de um açougueiro nunca poderá
ser um gentleman…”
29/09/2014
Show de Bola...
Já posso morrer… Já tenho a minha bola de bowling…
Ah, como eu adoro as feiras de velharias…
26/09/2014
24/09/2014
Sou um gajo difícil de convencer...
Nunca consegui descobrir se o casamento é a mais trôpega das
prisões ou se o paraíso mais celestial…
A educação de duas crianças pequenas...
O rapaz deixou o panfleto sobre a mesa sem palavra. Entrou
mudo e saiu ainda mais calado. No papel rabiscado à mão falava das duas
filhotas, a Marta e a Inês, que tinham fome, frio e falta de uma mão cheia de
coisas que são importantes na educação de duas crianças pequenas.
Eu, o João e a Madalena continuamos a bebericar os nossos
cafés quentes e nem de soslaio olhamos para aquele ofício rabiscado.
Quando fomos embora apanhei o papel e fiquei a pensar na
Marta e na Inês com frio e com fome. Ainda pensei que seria uma daquelas
estórias para sacar dinheiro ao povo. Pensei, repensei, voltei a pensar e fiz a
transferência…
Às vezes precisamos de acreditar…
12/09/2014
A fogo mortiço da vida...
Hoje nos domicílios fomos visitar
uma senhora nova com Esclerose Lateral Amiotrófica (a propósito do Ice Bucket
Challenge), que no último ano tem vindo a partir… Primeiro foram os membros, de seguida a voz e depois deixará de respirar… Tudo isto encimado por uma lucidez difícil
de entender…
A puta da vida tira-nos o chão
assim de repente… Por isso tal como nos disse o António Feio: não deixem nada
por fazer, não deixem nada por dizer e sejam felizes ou pelo menos tentem e
coiso…
06/09/2014
20
Segundo Ortigue e colegas da Universidade de Siracusa demoramos
cerca de 20 centésimos de segundo a apaixonarmo-nos à primeira vista. Os vinte centésimos
de segundo correspondem ao tempo necessário para se libertarem os neurotransmissores
que nos causam aquela sensação de loucura ensandecida…
20 centésimos de segundo para nos fodermos todinhos para
todo o sempre, meus caros…
03/09/2014
O papá e as regras...
Sinais errados… Nem todos os
sinais verdes são para avançar, nem tão pouco todos os vermelhos são parar…
Prontos, o papá admite: nunca fui
bom a cumprir ordens…
12/08/2014
Sempre ele... O sistema...
O lorde foi autuado à saída de um Centro de Saúde perto de
nenhures, por ter transposto um STOP com resmas de visibilidade…
O lorde ficou triste… O Lorde está arreliado com o sistema…
A leveza insubordinada do Amor…
O amor é do peso de uma pena… O amor é uma liberdade maluca.
O amor somos nós… O amor sou eu… O amor combina com bacalhau com natas... O
amor sabe a batatas fritas… O amor são sementes de caju. O amor é pintado de
fresco… O amor existe… O amor desiste e depois reaparece sem avisar… O amor mora no teu regaço…
O amor sobe escadas… O amor são pastéis de Tentúgal…
O amor és tu :)
02/08/2014
O meu delicioso Algarve...
Tenho saudades da Europa mas ao mesmo tempo não me vejo a
viver novamente longe daqui… O tempo de andar com a casa as costas de porto em
porto já passou…
Gosto tanto disto porra…
A propósito do BES, BPN e outros tantos…
Ele existirá emprego mais fácil e irresponsável do que ser
Director do Banco de Portugal…
Pelo amor da santa…
17/07/2014
Mentirinha...
O Pedro perguntou-me se aquela era a melhor mentira que
conseguia engrulhar…
Respondi-lhe que sim… Engrulhei-o outra vez… E admirei por
momentos a minha edificada mentira.
Apesar de ser o tipo mais certinho e totó do mundo, muitas
vezes admiro com embasbacamento a beleza cozinhada de uma boa mentira. Quem é
que nunca se deliciou com as façanhas inventadas de um tio-avô ou aquelas com estórias que
as velhinhas contam quando vão às urgências…
O mundo complexo dos automóveis usados…
Súbditos, após a morte, há muito anunciada, do meu bólide, ando
aqui às voltas com Mercedes em Famalicão, Hyundais em Santarém e Volkswagens em
Évora. Fodasse, nunca pensei que fosse tão complicado comprar um carro em segunda-mão…
Tenho que admitir que já comi gajas mais fáceis…
Sem mil Homens
“Sem homens não existem problemas”
Ditado Russo
Os russos raramente têm razão mas quando a têm são do
camandro…
30/06/2014
Os últimos dias...
Os últimos dias de qualquer actividade são sempre dias
tramados, sabemos de antemão que são rotinas que deixam de existir, caminhos
que deixamos de calcar e pessoas que “desaparecem”.
Mas para além disso existem os últimos dias que não vinham
marcados no calendário e surgem sem avisar. Esses são os piores. Às vezes,
relembro com um carinho parvo aqueles últimos dias em que nada faria supor que
seriam os últimos dias disto ou daquilo e que acabaram por o ser. Pessoas que
deixei de poder ter ao meu lado, umas porque partiram e outras porque lhes perdi
o rasto e que provavelmente não serão as mesmas, tal como eu não serei o mesmo.
Tenho saudades delas e de mim…
A irreversibilidade temporal é uma coisa tramada.
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